Visitando Ballarat


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Depois de um ano de considerável correria, ambos estudando bastante e trabalhando mais ainda, decidimos desacelerar um pouco. De que adianta trabalharmos tanto e não aproveitarmos ao máximo a oportunidade de viver na cidade com melhor qualidade de vida do mundo? Desde então temos tentado planejar mais os fins de semana de modo que consigamos conciliar trabalho, estudo e lazer.

Nos dois últimos meses rodamos um pouco pelas cidades vizinhas. Foram viagens curtas, mas todas bastante agradáveis. E é sobre esses lugares que quero começar a contar.

Vou começar por Ballarat. Nossa passagem pela terra do ouro foi curta, mas valeu a pena. Fomos num fim de semana, apenas o Pedro e eu, com o objetivo de visitar um local chamado Sovereign Hill e também o museu do ouro (Gold Museum). Ballarat é famosa em toda a Australia por ter abrigado muito ouro em tempos passados. Resumindo, em 1851 o tal metal precioso foi descoberto na região. A notícia se espalhou rapidamente e em menos de um ano mais de 20 mil imigrantes mudaram-se para o local para explorar a nova descoberta. É claro que nessa busca desenfreada muitos conflitos ocorreram e muita corrupção também. A partir do século 20, o ouro foi ficando cada vez mais escasso e, hoje em dia, a economia da cidade conta ainda com algumas empresas de mineração, mas em menor escala.

Pois bem, nossa parada principal em Ballarat foi em Sovereign Hill, um parque que recria os primeiros dez anos da cidade de Ballarat após o ouro ter sido descoberto na região, ou seja, meio do século 19 (1851).  De cara, já me apaixonei pelo lugar. Quem me conhece bem sabe o quanto amo essas coisas antigas, então aquela vilazinha (ainda que falsa) remontando o século retrasado me encantou.

Em Sovereign Hill você realmente se sente vivendo em um outro século. As casas, lojas, minas, acampamentos, hotel e até a igreja presentes na vila foram minuciosamente construídos e decorados para dar essa impressão. Mas o mais interessante são as atrações. Apesar da vila ser falsa,  os artistas estão o tempo todo trabalhando de verdade, o padeiro está realmente fazendo pão, o mecânico consertando carruagens e a costureira cortando pano. Logo, há muito pra se ver. Passamos um dia inteiro lá e não conseguimos aproveitar tudo. Então, se tivesse que escolher as melhores atrações, diria que você não pode deixar de assistir a apresentação em que um cara derrete e remodela uma barra de ouro de $100 mil dólares a pouquíssimos metros da plateia. Fiquei impressionada com o quanto é lindo o ouro derretido e o quanto é perigosamente quente também. Outra atração fofa é a fabricação de balas de açúcar, que era muito comum nesse tempo. Ver aqueles dois senhores produzindo as balas com tanta maestria e delicadeza me fez até ter vontade de virar baleira. A fabricação de rodas e a visita guiada à duas minas também são imperdíveis. Devo confessar que senti um pouco de pânico quando começamos a descer todos aqueles degrais pra debaixo da terra. Mas consegui ir até o final do passeio. Por fim,  super vale a pena o tour aonde um senhor, também vestido à carater, mostra os acampamentos dos primeiros migrantes, conta um resumo da história da cidade e ensina o modo certo de se usar a peneira para encontrar ouro.

Ah, cortando a vila há um riacho aonde vários dos visitantes passam o dia procurando uma lasquinha de ouro. E o melhor é que muitos acham! Claro que são lasquinhas tão minúsculas que não valem praticamente nada. Mas só a felicidade de achar uma delas já vale o trabalho. E é claro que Pedro e eu conseguimos achar nossos pedaCInhos de ouro. =D

Por fim, muitas das coisas que são feitas na vila, são também comercializadas lá, como as velas artesanais, panelas diversas de ferro fundido e também de cobre, jóias, roupas de época e até cartões postais. Eu babei nas coisas de cozinha, mas como na minha casa praticamente não cabe mais nada, deixei pra lá.

Acho que já falei demais, né?! Vou ser breve! O outro passeio em Ballarat foi ao Gold Museum, aonde pudemos saber mais sobre a história da cidade e ver de perto incríveis coleções de pepitas, artefatos e moedas de ouro. Mas informações sobre o museu pode ser encontradas nesse link.

Em tempo, o Gold  Musem fica bem em frente ao Sovereign Hill e super vale a pena visitar ambos. Se quiser ir aos dois no mesmo dia,  chegue bem cedo! =D

 

Como sempre, para ver as fotos abaixo em um tamanho maior, é só clicar sobre eles!

 

O jardim mais lindo que já conheci!

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Volta e meia me deparo com lugares aqui em Melbourne que valem super a pena serem visitados e que eu nem ao menos sabia que existiam. Então pensei em criar a tag #seemelbourne e começar a postar no blog sobre esses lugares. Quem sabe não inspiro mais pessoas a vir conhecer a terra dos cangurus?

Mebourne é a cidade dos parques, em cada esquina tem um. Eu já sabia que aqui perto de casa havia um tal de Rippon Lea Gardens e sempre pensava em ir lá, mas nunca havia me programado realmente. Até que num sábado acordei no meio da manhã com a ideia fixa na cabeça: “É hoje ou nunca, nem que eu tenha que ir sozinha, mas hoje eu vou!”. Acordei o Pedro, tomamos um café da manhã e pegamos nossas bikes para ir ao Gardens. Eu queria tanto ir, mas tanto, que é lógico que tinha que acontecer algo pra aumentar minha ansiedade, né?! Pois bem, a porta aqui de casa tranca sozinha, aconteceu que saímos de casa, fechamos a porta e só aí nos demos conta de que os dois estavam sem chaves. Ou seja, ficamos trancados pra fora de casa e teríamos que resolver isso antes do passeio. Solução: O Pedro foi de trem até a imobiliária e eu fiquei no corredor do prédio rezando pra que eles tivessem cópias das chaves. Meia hora depois o Pedro volta com as benditas cópias, pegamos as nossas chaves dentro de casa, e enfim, vamos ao parque!

Pesquisei um pouquinho na internet e descobri que Rippon Lea é o nome da mansão que abrigou duas ricas famílias entre o fim do século 19 até meados da década de 1970 naquele local. Construída por Frederic Sargood e, após sua morte, adquirida pela família Nathan, a residência e seus pomposos jardins foram palcos de deslumbrante festas e musicais.  Hoje, Rippon Lea está aos cuidados da National Trust e, além do acesso a área externa para picnics e caminhadas, há também visitas guiadas ao interior da mansão e peças teatrais diversas (durante o mês de Janeiro está sendo apresentado Alice in Wonderland e Teddy Bears Picnic).

As fotos abaixo dizem por sim só. Impossível não se sentir em paz e em contato íntimo com a natureza num lugar tão especial como esse. Pretendo voltar ainda várias outras vezes!

(Caso queiram ver as fotos em um tamanho maior, é só clicar nela!) =D

“Desengessando” conceitos

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Completamos 6 meses de Austrália! Tanta coisa aconteceu nesse tempo… Por um lado parece que acabamos de deixar Brasília, por outro sentimos como se já estivéssemos construído toda uma vida aqui. Ainda é difícil evitar que algumas lágrimas escorreram de vez em quando (principalmente quando vejo fotos dos meus sobrinhos), mas é cada vez mais frequente aquela sensação forte, inexplicável, de liberdade misturada à paz e tranquilidade de estar aos poucos expandindo meus horizontes, me aceitando plenamente como sou e entendendo o sentindo da minha vida.

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Qualquer mudança, seja ela de emprego, de hábitos, cidade ou de país, exige a coragem de se abandonar ou repensar conceitos. O problema é que, conforme vamos crescendo, mais difícil se torna abandonar ideias que tomamos com verdadeiras e que já estão de alguma forma incrustadas em nosso modo de pensar. Enfim, isso é o que mais venho aprendendo a fazer nessa terra. Percebo a cada dia que passa o quanto a vida é feita de momentos e, contraditoriamente, o quanto o conceito de felicidade é engessado no meu ponto de vista… Sabe aquela história de que a felicidade não está no fim da jornada, mas sim em cada curva do caminho? Essa sempre foi uma das ideias que eu quis ter enraizada em mim, mas infelizmente é algo que precisei e preciso lutar constantemente para não perder de vista, já que sempre fui muito ansiosa em relação ao dia de amanhã.

Pois bem, vir para Austrália tem me ajudado principalmente nisso… Melbourne é uma cidade extremamente multicultural, é impossível estar aqui e não acabar conhecendo pessoas de vários lugares do mundo. O convívio com outras pessoas é geralmente muito intenso e as diferenças em termos de cultura, comportamento, ideias e background no mostra o quanto o mundo é maior do que sempre imaginamos e, principalmente, o quanto a felicidade e realização pessoal podem ser mais simples também!  São tantas as histórias de vida…. A Yulia é koreana, já morou nas Filipinas, fala um pouco de japonês e vai a missa todos os domingos como eu… Kon veio da Grécia em busca de mais oportunidades de trabalho, é meu supervisor e, apesar de super ocupado, está sempre querendo ajudar a todos no que for preciso…. A Bronwyn é australiana e tem 64 anos, foi minha professora de Ielts, morou em Berlim durante 17 anos e mais uns 7 na China; lembra com brilho nos olhos todos os momentos que viveu nesses três países em uma época em que ainda não era tão comum para uma mulher viajar pelo mundo…

Alguns tem como meta o visto de residência permanente, outros só querem aperfeiçoar o inglês, alguns querem juntar muito dinheiro ou se especializarem em alguma área aqui para depois voltar para o país de origem…  O que essas pessoas tem em comum? CORAGEM. Tiveram coragem de abandonar uma situação que para eles estava cômoda, de vir em busca do invisível, de arriscar… É claro que ninguém é corajoso o tempo inteiro, mas o mais importante é lutar dia após dia saboreando as pequenas vitórias… E nesse processo,  vamos todos aprendendo a viver o agora, a valorizar cada pessoa que Deus coloca em nossos caminhos, e a saber que o amanhã a Deus pertence e que planos podem mudar a qualquer momento. 

Talvez eu esteja sendo redundante ou não tenha conseguido expressar o que realmente venho sentindo, mas em resumo e sem muitas explicações,  tenho compreendido melhor o valor de se viver o hoje, enxergar a beleza dos detalhes que fazem a vida mais bonita, percebo que EU sou a maior responsável pela minha realização e que enquanto eu estiver me preocupando mais com o que os outros vão pensar do que com o que eu realmente quero pra minha vida, não serei realmente dona do meu destino. Aos poucos tenho aprendido cada vez mais a olhar o próximo com olhos de compaixão, a entender que cada um luta uma batalha interna que nenhum outro é capaz de entender, e que estamos nessa vida para aprender uns com outros, julgando menos e apoiando mais…  É claro que não é fácil, tenho plena consciência de que quedas virão, como sempre… Mas viver esse mundo novo,  poder escutar histórias, conviver com algumas pessoas tão parecidas comigo e outras tantas tão libertas e felizes,  curtir a liberdade de ir e vir de bicicleta, conversar com pessoas estranhas no trem, passar horas e horas filosofando com meus amigos nas aulas de tricô, tomar um banho de banheira no escuro, ir a biblioteca, deitar na grama, escutar o canto dos pássaros quando acordo, não me preocupar com o celular que esqueci em casa e nem com o look do fim de semana… tudo isso me ajuda a enxergar que o mundo e a minha felicidade são mais simples do que eu sempre imaginei!

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Algumas das coisas que mais gosto de fazer por aqui! (é só clicar nas imagens que elas aumentam)

Visita a Collingwood Farm!

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Meus amores, sei que prometi que iria contar aqui como foi meu aniversário, mas estou sem inspiração hoje… Daí vim falar sobre um dos últimos passeios que fizemos: Visita à Collingwood Farm!

Na nossa escola há várias atividades extra-classes, e enquanto não começamos a trabalhar, o Pedro e eu temos participado de algumas delas! Na quinta passada estava programada uma visita a uma fazenda urbana (contraditório, né?!) que fica no bairro de Collingwood, e é claro que eu não poderia deixar de ir, né?!

Bom, às 14h em ponto partimos pra lá e depois de uns vinte minutos entre caminhada e ônibus chegamos ao nosso destino.

A Collingwood Children’s Farm fica há cerca de cinco minutos do centro de Melbourne e à margem do Yarra River. Como ela mesmo se denomina, a CF é uma fazenda sem fins lucrativos que tem como objetivo proporcionar a experiência do campo para as pessoas da cidade. Lá você pode ordenhar vacas, alimentar os animais, visitar as hortas, ou apenas desfrutar da atmosfera campestre do espaço.

Uma boa parte da comunidade se engaja nos projetos da fazenda. Achei super interessante o modelo de horta deles, onde cada morador é responsável por um espaço, e todos podem colher e usar as ervas, temperos, folhas e vegetais que lá crescem. Além disso, eles tem projetos de reflorestamento e permacultura, que podem ser conhecidos em maiores detalhes durante a visita.

Para mim, que de certa forma venho do campo, pouca coisa que vi lá era novidade. Mas tenho certeza de que o passeio é incrível pra muitas crianças e até para adultos.

Eu achei a ideia super válida e inspiradora.

Mais informações em: http://www.farm.org.au/

E não parou por aí não! Depois de dar aquela espairecida na fazenda, fomos conhecer um antigo convento que fica ao lado, o Abbotsford Convent Foundation ! Fiquei encantada por aquele lugar!

Como já era fim de tarde, apenas andamos pelo local e visitamos algumas galerias de arte. Mas pude perceber que por lá há muito mais do que isso! Além das exposições, há também um ateliê de jóias, estúdio para artistas, espaços para escritores e designer trabalharem, espaço para eventos, e ainda uma escola, estação de rádio, bakery, cafés e restaurante.

Nosso próximo passeio ao Convento será pra conhecer o Lentil as Anything, um restaurante vegetariano onde você come e ao final contribui com a quantia que achar que deve/vale em uma caixinha de madeira no caixa. De acordo com o site deles, o restaurante é uma organização sem fins lucrativos com filosofia baseada em confiança, generosidade  e inclusão social. Muito interessante a proposta. A Alyne já almoçou lá e disse que a comida é deliciosa!

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São muitas novas experiências e sentimentos a compartilhar, gente! Tantas que eu até me perco! Então vou ficando por aqui com fotos e prometo voltar logo contando sobre as comemorações dos meus 27 aninhos de vida!

Super beijo no coração de cada um!

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Agora vamos as fotos do Convento:

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E pra fechar, uma foto feita pelo menu namô-noivo que eu A.M.E.I !!!

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Beijos no coração de cada um!! ( no da minha maezinha principalmente!)

Nosso primeiro churrasco australiano

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“Quanto tempo longe de você, quero ao menos lhe falar, a distância não vai impedir…” Aahh, como eu amo Roberto Carlos!  =P

Bom, mas vamos ao que interessa!

Na quinta passada foi feriado aqui e participamos do nosso primeiro “Australian Barbecue”.  Já havíamos experimentado a famosa carne de canguru em um churrasco em casa com amigos brasileiros, mas esse foi nosso primeiro churrasco em um local público, com os amigos do colégio e com um cardápio tipicamente australiano.

Tudo que tenho a dizer é que foi ÓTIMO! Como ainda não conhecíamos muitas pessoas no colégio, fiquei um pouco receosa em ir, mas superou todas as minhas expectativas…  Em Melbourne há centenas de parques, e em praticamente todos eles encontramos churrasqueiras de uso público.  Ou seja, o processo pra um “barbie” (como eles chamam o churrasco) é simples:  você encontra uma churrasqueira vaga, aperta um botão, põe papel alumínio na chapa e assa suas stuffs…

Para nós brasileiros acostumados a comer picanha na brasa, pode parecer esquisito. Mas eu amei a variedade do nosso churrasco de Anzac Day (feriado na Austrália em homenagem aos milhares de soldados que morreram em batalha durante a I Guerra Mundial).

Quem me conhece bem sabe que amo uma “explosão de sabores”, e era mais ou menos isso. Pelo que percebi o carro-chefe dos churrascos daqui são as linguiças, que depois de assadas são postas no meio de um pão de forma e servidas com molho barbecue e chips. Mas além disso havia milho assado, cogumelos, cebolas assadas, peito de frango, carne vermelha, hamburguer de canguru e hash browns, que é basicamente uma panquequinha assada deliciosa feita de batata ralada.

Resumindo, foi um sábado muito agradável, rodeado de possíveis futuros amigos e muitas gargalhadas!

Ah, é impressionante como vários deles sabem cantar “Ai, se eu te pego”, do Michel Teló

Já nesse sábado passado, nossos amigos e housemates queridos Alyne e Thiago nos ofereceram o carro antigos deles para um passeio básico… No começo sentimos um certo medinho de sair por aí andando na mão contrária a que estamos acostumados, mas foi tranquilo e muito gostoso… Convidamos nossos amigos colombianos Renata e Andres para um passeio pelo costa e dessa vez levamos a máquina.  Mas isso já é assunto para o próximo post! =P

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